Descolamento do Vítreo Posterior

O que é?

O descolamento do vítreo posterior (DVP) ocorre quando o vítreo — o gel transparente que preenche o interior do olho — se desprende da retina. É um processo natural do envelhecimento, mais comum após os 50 anos e em pessoas com miopia alta ou que já operaram catarata.

  • Os principais sintomas são o surgimento de moscas volantes (pontos ou teias que flutuam na visão) e flashes de luz.
  • Na maioria das vezes é benigno, mas, ao se soltar, o vítreo pode tracionar e romper a retina, causar hemorragia ou levar ao descolamento de retina.
  • Por isso, sintomas novos e súbitos pedem avaliação rápida da retina.

Como tratar?

  • A avaliação é feita com mapeamento de retina sob dilatação e, quando necessário, ultrassonografia ocular, examinando toda a periferia da retina.
  • Havendo rotura, ela deve ser tratada de imediato com laser (fotocoagulação) ou crioterapia, selando a retina e prevenindo o descolamento.
  • Na maioria dos casos sem rotura, os sintomas melhoram espontaneamente em semanas a meses, e o cérebro se adapta às moscas volantes.

O que fazer?

  • Ao notar moscas volantes em grande quantidade, flashes de luz ou uma sombra/cortina na visão, procure avaliação imediata com um especialista em retina.
  • Retorne ao especialista caso os sintomas mudem ou se agravem — a rapidez é o que evita complicações.

Pontos Essenciais

  • O descolamento do vítreo posterior pode, em parte dos casos, evoluir para rotura ou descolamento de retina — uma urgência que pode levar à perda da visão se não tratada.
  • A diferença entre um laser preventivo de minutos e uma cirurgia de descolamento é, quase sempre, a rapidez com que se procura avaliação.

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Tem tratamento?

O descolamento do vítreo posterior não tem, e não precisa ter, um tratamento que o desfaça: ele é uma mudança natural do gel que preenche o olho, e uma vez que o vítreo se separou da retina, ele não volta a se colar. O que se trata é a complicação, quando ela existe.

  • Sem rotura na retina — que é a maioria dos casos — a conduta é acompanhar. Não há colírio, comprimido ou cirurgia que encurte o processo.
  • Com rotura, o tratamento é imediato e feito no consultório, com laser (fotocoagulação) ou crioterapia, selando a retina antes que o líquido passe por baixo dela.
  • A vitrectomia fica reservada para os casos raros em que as moscas volantes continuam intensas a ponto de atrapalhar a vida depois de meses, e a indicação é avaliada caso a caso.

Por isso a pergunta importante na consulta não é “qual o tratamento”, e sim se há rotura — e isso só o mapeamento de retina sob dilatação responde.

DVP é a mesma coisa que descolamento de retina?

Não, e a diferença muda a urgência. São duas camadas diferentes, e os nomes se parecem o suficiente para assustar quem acabou de receber o diagnóstico.

  • DVP (descolamento do vítreo posterior) é o gel se soltando da retina. É comum depois dos 50 e, na maior parte das vezes, benigno.
  • Descolamento de retina é a própria retina se soltando do fundo do olho. É emergência e pode custar visão de forma permanente.

A ligação entre os dois é que, ao se soltar, o vítreo pode puxar a retina e abrir uma rotura — e a rotura não tratada é o caminho para o descolamento de retina. É exatamente por isso que um DVP “simples” merece exame de fundo de olho: não pelo DVP em si, mas para excluir a rotura.

Também é comum ouvir e escrever deslocamento do vítreo. O termo correto é descolamento, e trata-se da mesma condição.

Quanto tempo duram as moscas volantes e os flashes?

Não há prazo fixo, e vale desconfiar de quem promete um. O que se observa na prática:

  • Os flashes de luz tendem a diminuir e desaparecer primeiro, na medida em que o vítreo termina de se separar e para de tracionar a retina.
  • As moscas volantes costumam incomodar mais nas primeiras semanas e ir perdendo peso ao longo de meses. Elas raramente somem por completo: o que muda é que o cérebro deixa de dar atenção a elas, e elas passam a aparecer só contra fundo claro.

Procure atendimento no mesmo dia se as moscas aumentarem de repente, se os flashes voltarem depois de terem cessado, ou se surgir uma sombra escura tomando um lado da visão — são os sinais de que a situação deixou de ser um DVP simples.

Dúvidas frequentes sobre o descolamento do vítreo

O descolamento do vítreo posterior tem tratamento?

O DVP em si não se trata, porque é um processo natural do envelhecimento e não é doença. O que se trata é a complicação: havendo rotura da retina, ela é selada com laser no próprio consultório, num procedimento rápido e sem internação. Se já houver descolamento de retina, a indicação passa a ser cirúrgica.

As moscas volantes somem?

Na maioria das pessoas elas não somem por completo, mas incomodam cada vez menos. Parte dos pedacinhos de gel se deposita fora do centro da visão e o cérebro aprende a ignorar o resto, num processo chamado neuroadaptação. Em semanas a poucos meses a maioria diz que esqueceu que elas existem. Não existe colírio, vitamina ou exercício que as dissolva. Entenda as moscas volantes.

Quando o DVP vira urgência?

Procure atendimento no mesmo dia se aparecer uma sombra ou cortina cobrindo parte do campo de visão, uma chuva súbita de pontinhos pretos, queda da visão, imagens tortas no centro, ou flashes que aumentam em vez de diminuir. Esses são os sinais de que houve rasgo ou de que a retina começou a descolar. Veja os sinais em detalhe.

O DVP pode virar descolamento de retina?

Em parte dos casos sim. A minoria que rasga a retina começa exatamente igual à maioria que não rasga, e é por isso que não dá para presumir que o seu caso é o comum sem alguém ter olhado o fundo do olho. A avaliação é feita com mapeamento de retina sob dilatação e, quando necessário, ultrassonografia ocular.